5G e o cotidiano conectado: o que falta para esse futuro nos alcançar?

Foto: Pixabay/Reprodução

A 3rd Generation Partnership Project (3GPP), consórcio global da indústria envolvida no desenvolvimento e comercialização de produtos de telefonia, anunciou neste mês a conclusão da padronização do 5G independente. Na prática, isso significa que as empresas do setor agora estão aptas a realizarem lançamentos e testes envolvendo a tecnologia. Mesmo assim, as complexidades técnicas ainda precisam ser dominadas antes que essa visão do futuro se torne uma realidade global.

Os primeiros serviços 5G comerciais só devem aparecer em 2019, mesmo em países como os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão. Alguns produtos anunciados com tal inovação tecnológica já estão em circulação. Isso porque a documentação que já havia sido publicada permitia sim uma aplicação, mas com funcionamento limitado e incompleto. Esses produtos utilizam as estruturas de 4G das operadoras, falhando em atingir todo o potencial tão alardeado da nova geração em redes móveis.

Segundo Igor Monteiro, especialista em sistemas eletrônicos do CSEM Brasil, a primeira dificuldade a ser enfrentada antes da implantação do 5G é a infraestrutura. São necessários grandes investimentos para viabilizar seu uso comercial. Em seguida, vem a compatibilidade.

“Em cidades como Nova York e Los Angeles já existe uma infraestrutura 5G, mas o serviço ainda não foi lançado porque não existem dispositivos compatíveis. Os fabricantes de semicondutores precisam integrar um rádio 5G em seus chips antes que você possa se conectar à essa rede utilizando seu smartphone”, explica.

Ainda assim, os investimentos já estão na pauta dos maiores centros econômicos do mundo. Não poderia ser diferente, pois espera-se que o 5G melhore consideravelmente a experiência do usuário com conteúdos imersivos como a realidade virtual, a realidade aumentada e conteúdos de alta definição.

“São esperados novos serviços que poderão revolucionar a indústria com links confiáveis e de baixa latência, como por exemplo, controle remoto de infraestruturas, veículos, processos produtivos e até procedimentos médicos”, destaca Monteiro.

IoT a um passo da massificação

Apesar da espera, as expectativas para uma nova realidade em redes móveis são altas. O aumento da velocidade, da estabilidade e do número de conexões para os futuros dispositivos deverá impactar a vida cotidiana. Estamos falando de uma Internet dez vezes mais veloz. As redes de quinta geração vão auxiliar na massificação da IoT (Internet das coisas), que permite aos dispositivos do nosso dia a dia agirem em conexão com diversos ambientes. O 5G conectará sensores, atuadores e sistemas, além de também possuir a habilidade de flexibilizar o suporte a serviços futuros.

No momento, ainda é cedo para ver soluções aplicadas do 5G. Mas nos próximos anos, a rede vai suportar aplicações como os robôs guiados remotamente, casas e cidades smart, streaming de alta definição, veículos autônomos e indústria 4.0. Por enquanto, “gigantes do setor como AT&T e Verizon pretendem disponibilizar pontos de acesso que capturam o sinal 5G e disponibilizam via Wi-Fi em eventos e locais turísticos. Um esforço quase imperceptível para tentar acelerar o processo de compatibilidade”, avalia Monteiro.

O potencial econômico atrelado a tudo isso é enorme. Estudos da fabricante de semicondutores Qualcomm demonstram que o 5G pode ser responsável pela criação de 22 milhões de empregos em todo o mundo, além de movimentar US$ 12 trilhões até 2035.

A contribuição do 5G para o crescimento do PIB global é estimada em US$ 3 trilhões, o equivalente a um país do tamanho da Índia. Segundo a empresa, 91% dos entrevistados acreditam que o 5G irá possibilitar produtos e serviços que ainda nem foram inventados. Já 83% esperam o crescimento de pequenos negócios e o aumento da competitividade global.

Previsões nacionais

Mas é importante lembrar: no Brasil a história é bastante diferente. O 5G utiliza faixas de frequência de rádio, condicionando a aplicação da tecnologia à desobstrução do espectro por parte do governo. Além disso, os investimentos necessários por parte das operadoras dificultam uma aplicação imediata. Monteiro ressalta que, enquanto poderemos ver o 5G pelo mundo já a partir de 2019-2020, existe um outro ritmo para o desenvolvimento nacional dos processos.

“Por aqui ainda temos um longo caminho, com as operadoras investindo atualmente em melhorias para o 4G. O chamado 4G+ ou 4.5G deve ser difundido no Brasil até 2019. Levando-se em conta que a 3GPP oficializou o padrão 4G LTE em 2011 e no Brasil devemos atingir suas potencialidades até 2019, podemos inferir que o uso pleno do 5G (publicado em 2018) ocorra por volta de 2024 ou 2025”.

O especialista do CSEM Brasil enxerga dificuldades tanto técnicas quanto econômicas. A dimensão continental do país, com sua vasta área e cidades espalhadas por quase todo o território, traz uma série de empecilhos. Ainda existem muitos lugares nos quais não existe sequer um sinal de telefonia móvel.

“Mesmo nos grandes centros urbanos, possuímos menos torres de antenas que o necessário para estruturar uma rede 5G”. A previsão não poderia ser outra: serão necessários investimentos intensivos para difundir o 5G no Brasil antes de 2025.

CSEM Brasil

Um Centro de Pesquisa & Desenvolvimento que sonha mudar o mundo através da inovação.

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