Entenda mais sobre os desafios que limitam o ecossistema brasileiro

Inovação envolve desenvolver um produto, serviço ou processo novo para a organização, o setor em que se atua ou o mercado em geral. Esse processo ajuda a aumentar a competitividade e ainda é capaz de gerar valor para o negócio, portanto, é um fator benéfico para qualquer empresa almejar. Nesse sentido, um dos caminhos para chegar até ele passa pelo chamado ecossistema de inovação.

Nesse ambiente, aumentam as chances de se desenvolver soluções criativas, até mesmo com potencial disruptivo. Esse local contribui para o desenvolvimento de pesquisas científicas voltadas ao empreendedorismo, bem como para o surgimento de patentes. Aliás, o volume de registro de marcas e patentes é um importante indicador de inovação para o país.

No Brasil, ele cresceu bastante entre 2017 e 2018. De acordo com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), a quantidade de patentes concedidas, nesse período, passou de 6.250 para 11.090, representando uma elevação de 77,4%. Já o número de marcas registradas saltou de 123.362, em 2017, para 191.813, em 2018. Isso significa um aumento de 55,5%.

Um bom ambiente de inovação colabora para que essa métrica cresça. No entanto, há muitos desafios no ecossistema brasileiro que precisam ser superados para que isso continue melhorando. Quer saber quais são eles? Continue lendo e descubra!

O que é um ecossistema de inovação?

De maneira geral, corresponde a um ambiente que conecta empreendedores, organizações e outras entidades que passam a se apoiar para inovarem. Dessa forma, trabalham de maneira colaborativa para o desenvolvimento e a produção de novas soluções. Vale destacar que ele ainda gera benefícios à comunidade em que está inserido, como empregos.

Um bom exemplo de ecossistema de inovação é o chamado “Vale do Silício”, localizado na Califórnia, nos Estados Unidos. Ele é voltado para tecnologia, sendo o maior desse segmento no planeta. Nele, boa parte das maiores empresas globais desse setor se desenvolveram, como Google, Facebook e Google.

Outro exemplo é o “Silicon Wadi”, localizado em Israel, sendo o segundo maior do mundo. Na Índia, há o ambiente de Bangalore, considerado a capital da alta tecnologia nesse país.

No Brasil, um ecossistema que se destaca é o Sistema Mineiro de Inovação (SIMI), que reúne centenas de entidades que contribuem para a criação, o desenvolvimento e a propagação de novas tecnologias.

Um ecossistema de inovação também pode envolver agentes distintos. Por exemplo, uma incubadora de empresa, uma aceleradora ou um centro de pesquisa e desenvolvimento — que integra diferentes parceiros e oferece condições para a produção de produtos e serviços criativos.

As parcerias formadas em um ambiente de inovação também permitem que empresas troquem experiências e ajudem umas às outras a expandirem seus negócios. Inclusive, novos negócios podem surgir nele, como as chamadas startups, que usam muita tecnologia em seus processos.

Qual a diferença entre ecossistemas e sistemas de inovação?

Sistemas de inovação costumam ser mais estáticos, com enfoque maior em politicas e na economia da inovação. Também são preocupados com as organizações e suas influências no desenvolvimento desse processo. Dependem de regras definidas e claras, muitas vezes legisladas pelo poder governamental. São mais fechados.

Já os ecossistemas de inovação são mais dinâmicos, preocupando-se com a inovação mais no âmbito de empresa. Isso por intermédio da colaboração entre organizações para uma cocriação de valor.

Também são autorregulados, logo, um ecossistema de inovação é tido como um sistema complexo, que se adapta. Também tem um estado de desiquilíbrio, semelhante às suas contrapartidas biológicas.

Quais os desafios do ecossistema de inovação brasileiro?

Ele apresenta desafios relacionados à própria indústria nacional, isto é, ao momento em que ela vive. A seguir, separamos alguns das principais dificuldades enfrentadas. Acompanhe!

Comunicação falha entre entidades mercadológicas e governamentais

O mercado brasileiro ainda tem dificuldade em se conectar com as startups que, entre 2015 e 2017, conseguiu alcançar US$ 2,3 trilhões em geração de valor para a economia global.

Ter informações concretas sobre os empreendimentos desse tipo de atividade no Brasil e sobre pesquisas na área é uma tarefa complexa, pois há dados dispostos em diferentes bancos de dados e sites do governo. Muitos, inclusive, estão desatualizadas.

Isso também provoca retrabalho, pois diferentes agentes governamentais podem realizar atividades semelhantes por não saberem do trabalho uns dos outros.

Dificuldade na busca de novos investimentos

No primeiro semestre de 2016, apenas 17% dos pequenos empreendedores buscaram crédito bancário. Dois dos motivos para esse baixo percentual eram os juros médios de 4,5% ao mês e a ausência de garantias para dar como contrapartida para obtenção de crédito.

Isso sem falar que, do montante que procurou essa opção, 27% teve o pedido negado. Além da recente crise, a concentração do mercado bancário em poucas instituições acaba dificultando a obtenção de empréstimos.

Dificuldade em realizar parcerias e de se integrar a polos de inovação internacionais

A integração do ecossistema de inovação brasileiro aos polos globais ainda está em estágio inicial, principalmente no setor de startups — as quais necessitam trabalhar em projetos com impacto internacional a fim de que cresçam. Em especial, para que tenhamos mais “unicórnios”, isto é, startups avaliadas em mais de um bilhão de dólares.

Além disso, essas empresas normalmente estão próximas a universidades e laboratórios, isto é, locais de desenvolvimento de pesquisas e de fomento ao conhecimento. Nos EUA, as parcerias entre universidades e setor privado são mais fortes, o que permite a aplicação do conhecimento gerado em soluções inovadoras mais rapidamente. No Brasil, essa ligação ainda não é tão forte, limitando o surgimento de startups.

Como esses desafios impactam os pilares do ecossistema de inovação?

Antes de analisar os impactos, é preciso entender quais os seus pilares. Em primeiro lugar, temos a educação, responsável pela produção do conhecimento que será transformado em inovação. Como visto acima, a relação frágil entre entidades que produzem conhecimento, como universidades, e as empresas acaba sendo um empecilho ao ecossistema de inovação.

As instituições e políticas públicas correspondem a outro pilar, pois estimulam o ambiente de inovação. Para tanto, precisam melhorar a disponibilização de informações relevantes na área.

Por sinal, há ações para corrigir essa situação, como o Portal Inovação, que agrega informações relevantes sobre o tema, e, a nível estadual, o mencionado SIMI. Também é preciso investir em financiamento para o mercado da inovação.

Empreendedores, especialmente de Pequenas e Médias Empresas (PME’s), precisam de estímulo e capacitação. Além disso, é importante que haja mais programas para facilitar conexões não só nacionais, como também internacionais.

Aliás, 54% das companhias brasileiras fazem parcerias estratégicas com outras organizações. A média mundial é de 45%. Isso pode apontar que a cocriação é um dos principais meios para superar a barreira de lançamento de novas soluções no Brasil. Além disso, pode contribuir para que eles se tornem mais escaláveis e possam ser levados para fora do país.

Quais os impactos desses desafios naquilo que o ecossistema se propõe a fazer?

Os desafios impõem restrições aos ambientes de inovação nacionais, que precisam de adaptação e investimento para superá-los. Um exemplo é a troca de experiências, que pode ser dificultada devido à falta de informações atualizadas e centralizadas.

Para inovar no Brasil, também é preciso reconhecimento da comunidade, especialmente a que poderá investir em negócios e projetos que tenham o intuito de desenvolver soluções criativas, com bom potencial de êxito.

Contudo, ao mesmo tempo em que esses desafios impõem limitações, o próprio modo de funcionar de um ecossistema de inovação gera soluções para lidar com eles, afinal, é um ambiente autoajustável e em constante transformação. O surgimento de iniciativas privadas, como centros de pesquisa e desenvolvimento que abrigam locais propícios a esse processo, também contribui para enfrentá-los.

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CSEM Brasil

Um Centro de Pesquisa & Desenvolvimento que sonha mudar o mundo através da inovação.

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