O que o surgimento das unicórnios nos ensina sobre inovação

Como um processo flexível de inovação, típico das startups, pode gerar mais valor

por Rodrigo Vilaça, diretor técnico do CSEM Brasil

O que vem sendo chamado de “manada” de unicórnios no Brasil reacende várias questões do setor de inovação. O novo status de unicórnio do Nubank , o aporte chinês da 99 e a abertura de capital do PagSeguro – que ainda não se caracteriza como unicórnio propriamente dito – são casos de sucesso. Além dessas três, o iFood, a Stone, Ebanx, Resultados Digitais e cerca de outras 10 startups brasileiras trilham o mesmo caminho.

Esses resultados não são à toa: startups surgem em ambientes propícios à inovação. Métodos como storytelling design thinking contribuem bastante para alavancar a criatividade e trazer novas soluções, tanto em empresas tradicionais, quanto em startups.

Atualmente, temos inúmeras ferramentas para inovação. No entanto, não é um processo que se possa forçar. Existem ferramentas que facilitam, mas não há um modelo fechado para gerar inovação: cada problema demanda uma técnica, ou ação diferente.

Por isso é importante, antes de iniciar a ideação, definir o problema. Caso contrário, não se gera inovação. Como diz Silvio Meira, cientista-chefe do C.E.S.A.R, inovar é emitir mais e melhores notas fiscais. Se você não transforma sua pesquisa, descoberta ou ideia em valor para a sociedade, a inovação é inócua. É preciso traduzi-la em ganho financeiro, menor despesa ou agregar valor para os agentes envolvidos.

É por isso que o primeiro passo é sempre identificar qual – e como – é o problema. Achar soluções para problemas que não existem resultam em empresas que morrem, startups que não dão retorno, produtos que não vendem. É preciso verificar se o problema é real e nele identificar uma oportunidade que possa trazer benefícios à sociedade. Aqui está o ponto crítico da inovação.

No CSEM Brasil, eu e minha equipe buscamos soluções sempre pensando em desenvolver um negócio sustentável em torno desse produto ou serviço. A pergunta não é: esse produto pode ser desenvolvido? Mas sim: Esse produto DEVE ser desenvolvido? Sempre tentando evitar de cair na armadilha de resolver um problema que o mercado não enxerga como tal.

A partir desse aprofundamento no problema e entendimento do mercado – aí sim -, chegamos à fase de ideação. Aqui se usa brainstorming, ideation, e outras técnicas diversas, que ajudam a equipe a pensar fora da caixa. A liberdade para conduzir o projeto também é peça essencial. Apesar disso, é comum que as empresas, mesmo contratando alguém por valorizar sua criatividade, aprisione essa mesma criatividade em processos e limites burocráticos.

Estruturas muito fechadas não contribuem para o processo de inovação. Inclusive, as empresas já percebem isso. Quando internamente é difícil inovar, apostar em parcerias externas gera resultados. Podendo ser unidades de inovação da própria empresa, operando como uma nova entidade, ou investimento e empreitadas com centros de inovações e startups. Assim se tem mais agilidade e facilidade para mudar o foco quando necessário, sem barreiras para o pensamento.

Sendo assim, depois da etapa de ideação, costumamos selecionar e desenvolver as melhores ideias. Estudando suas vantagens, desvantagens e como a solução operaria no mundo real, podemos indicar a solução mais adequada para o cliente. Logicamente, isso pode ser feito com diversas iterações – o processo não precisa ser linear. Mesmo após começar a desenvolver a solução, se existem dados que justifique uma mudança, nada impede que você volte atrás e comece de novo.

É o que se chama de pivotar, no modelo de Lean Startup. É possível pivotar o desenvolvimento a qualquer momento, quando se enxerga uma solução melhor. Além disso, o modelo permite que se lance soluções beta no mercado para validar suas premissas, antes de um alto investimento em uma solução alfa que pode não gerar resultados.

Em um mundo onde a obsolescência chega cada vez mais rápido, é dessa agilidade que se necessita para concretizar inovação. Com mais uma inspiração de Silvio Meira, percebemos que esse mundo precisa operar em “modo beta”. Se um produto alfa, completamente validado, chega ao mercado já fora do timing, precisamos apostar em soluções beta.

Assim, a validação das premissas consideradas na fase de ideação também se torna parte do processo de inovação. Findamos, então, em diálogo com o mercado, levando uma inovação necessária para a sociedade. Agregando valor, que, justamente por isso, gerará mais e melhores notas fiscais.

CSEM Brasil

Um Centro de Pesquisa & Desenvolvimento que sonha mudar o mundo através da inovação.

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