Potencialidades e dificuldades em IoT: Contexto brasileiro, setores estratégicos e a tecnologia LoRa

O mercado de IoT deverá movimentar de 4 a 11 trilhões de dólares em 2025 (Relatório McKinsey IoT 2015) e provocará uma ruptura dos modelos de negócios existentes. Enormes oportunidades para a inovação de produtos e serviços irão emergir, transformando o modelo tradicional da indústria.

O impacto da Internet das Coisas na economia global fez com que muitos países a considerassem uma estratégia de Estado para a sobrevivência de suas indústrias e competitividade de suas economias. Na entrevista a seguir, nosso Especialista em Sistemas Eletrônicos, Igor Monteiro, responde as principais dúvidas sobre a tecnologia:

 

  • Como definir IoT? Por que ela vai mudar a vida das pessoas?

A Internet das Coisas (IoT) é a integração de coisas inteligentes e coisas conectadas. Ela está presente quando algo é capaz de gerar dados e transmitir informações úteis para auxiliar a capacidade humana de tomar decisões, aumentar a produtividade ou melhorar a qualidade de vida. Ela vai possibilitar que coisas conversem entre si e atuem para cumprir alguma função. Imagine que o seu de despertador possa, por exemplo, checar dados de tráfego em tempo real para decidir acordá-lo com 10 minutos de antecedência devido à uma colisão no caminho para o trabalho. Ele pode informar o ritmo de abertura das cortinas automáticas para um despertar suave, enquanto avisa sua cafeteira para preparar o café minutos antes de você acordar. Todas essas coisas cooperam para que você chegue bem a tempo na sua reunião. Isso já é realidade!

 

  • No Brasil, como esse assunto vem sendo tratado? Já existem planos para IoT no nosso país? Como estamos inseridos neste contexto?

O Brasil começa a dar os primeiros passos sobre o assunto. Em outubro de 2017, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) publicou um relatório do estudo “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil”. Seu objetivo é propor um plano de ação estratégico para o país em Internet das Coisas.

Nesse contexto, as principais economias mundiais estão em patamar de igualdade com economias emergentes. Portanto, o Brasil tem a chance de se posicionar como um grande player global em IoT. Entretanto, o cenário atual é desafiador, pois o país está retrocedendo nos índices internacionais de inovação e competitividade da indústria. A elevada capacidade empreendedora brasileira não tem sido compatível com a tímida capacidade de inovação. Precisamos mudar esse cenário.

 

  • Qual é o potencial do Brasil para trabalhar com essas tecnologias? Quais áreas da nossa economia poderiam ser beneficiadas?

Na minha visão, o Brasil possui um mercado com elevado potencial. Por aqui, a estimativa é de 50 a 200 bilhões de dólares de impacto econômico anual em 2025. Nesse documento, a matriz de priorização destacou 4 frentes prioritárias de IoT para o país: Cidades, Saúde, Rural, além de uma frente mobilizadora composta por industrias de base (Mineração, Petróleo e Gás) e Fábricas (Têxtil e Automotiva).

 

  • Nesse contexto, escutamos muito sobre a tecnologia LoRa e sua aplicação em IoT. O que é a LoRa e como ela já é utilizada hoje?

LoRa é uma tecnologia de modulação de radiofrequência que possibilita a comunicação por longas distâncias (3-5 km em áreas urbanas e 10-15 km em áreas rurais) com mínimo consumo de energia. Já o LoRaWAN é o nome dado ao conjunto de especificações que define como essa comunicação irá ocorrer. O LoraWAN determina, por exemplo, os canais de frequências de operação, a potência de transmissão e a segurança dos dados. Já existem aplicações em diversos segmentos. Por exemplo, no monitoramento distribuído da poluição urbana em Glasgow, na Escócia. Além de uma comunidade online de rede LoRaWAN que cobre a cidade de Munique na Alemanha. Por aqui, o CSEM Brasil já possui sistemas de IoT operando na indústria de mineração.

 

  • Por que utilizar LoRaWAN em tecnologias de IoT? Qual o principal desafio que a tecnologia ajuda a resolver?

Seu uso é interessante em aplicações distribuídas com vasto número de sensores e com disponibilidade restrita de energia. O grande desafio que a tecnologia ajuda a superar é o de transmitir dados por longas distâncias consumindo muito pouca energia. Um dispositivo em rede LoRaWAN pode operar com pequenas baterias durante décadas, transmitindo dados eventualmente por até 15 km. Além disso, milhares de dispositivos são suportados em uma mesma rede.

 

  • Existe alguma dificuldade em se implantar essa solução? Como contorná-la?

Sim. Por se tratar de uma tecnologia recente, a maior dificuldade hoje é o custo. Todavia, o potencial de aplicação em larga escala certamente minimizará essa dificuldade em pouco tempo.

Para contornar essa dificuldade momentânea, priorizamos aplicações com alto valor agregado. Desse modo, o custo da solução representa um percentual reduzido do produto ou serviço beneficiado. Em um futuro próximo, outras aplicações se tornarão financeiramente viáveis à medida que a tecnologia ganha escala e reduz custos.

 

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CSEM Brasil

Um Centro de Pesquisa & Desenvolvimento que sonha mudar o mundo através da inovação.

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