Tecnologia que leva água a regiões de extrema pobreza recebe painéis solares brasileiros

Painéis solares orgânicos são integrados ao Warka Water, projeto tecnológico de captação de água e geração de energia para regiões desertas e de baixa renda pelo mundo

O Warka Water, projeto desenvolvido pelos italianos Arturo Vittori e Andreas Vogler, foi criado para levar água potável para regiões desertas e carentes, como alguns lugares da África, em 2012. Trata-se de uma torre feita de bambu, ou algum material de fácil acesso na região, que capta o vapor d’água atmosférico e o torna próprio para consumo. Hoje, ele se se reinventa com uma inovação brasileira: os painéis solares orgânicos desenvolvidos pelo CSEM Brasil e fabricados pela empresa spin-off SUNEW.

A ideia é transformar o Warka, além de uma fonte de água, em gerador de energia limpa para comunidades em que esses recursos não chegam. A partir de uma doação da empresa brasileira, a ONG organizou um workshop no último mês, convocando voluntários para ajudar na implantação dos painéis solares. A integração foi um sucesso e agora a organização se prepara para levar a inovação para o Haiti, enquanto lança uma campanha de crowdfunding para arcar com os custos da viagem.

 

Como funciona
A torre é revestida por uma malha de plástico, que ajuda a captar as gotículas de água – geralmente de orvalho, chuva ou névoa – e possui um toldo sob o qual as pessoas podem se reunir. Daí vem o nome Warka, em homenagem a uma figueira nativa da Etiópia que, além de ser um símbolo de fertilidade e generosidade, oferece larga sombra e um local de interação social. É neste toldo em que os painéis solares orgânicos serão instalados, aproveitando a sua leveza e flexibilidade. Aplicação essa apenas possível com o OPV (Organic Photovoltaic), área na qual o Brasil lidera em resultados, avanços tecnológicos e estrutura de fabricação.

Voluntários manejam painéis solares orgânicos no primeiro dia do workshop.

 

Energia solar de próxima geração
Os painéis solares orgânicos constituem uma tecnologia disruptiva com características de baixo peso e pegada de carbono, flexibilidade, transparência e alta absorção de luz difusa. A produção é feita por técnica de impressão rolo-a-rolo, um processo contínuo e altamente escalável, que utiliza baixas temperaturas e materiais orgânicos abundantes na natureza – reduzindo o impacto ambiental e conferindo um potencial de baixíssimo custo.

“Estamos desenvolvendo algo que poderá mudar a forma como geramos e percebemos a energia num futuro muito próximo. Estamos falando de um novo conceito: energia limpa, com potencial de baixíssimo custo e que pode ser integrada a praticamente tudo. O potencial é imensurável”, explica Tiago Alves, CEO do CSEM Brasil.

Tudo isso chamou a atenção de Arturo Vittori, com quem a SUNEW entrou em contato para avançar no desenvolvimento do Warka. A SUNEW decidiu doar o material e, até agora, já foram enviados 30 painéis solares, que terão o potencial energético capaz de prover soluções de iluminação, wi-fi, energizar computadores, geladeiras para remédios ou até mesmo projetores usados para aulas, entre outras inúmeras possibilidades.

Warka acesa com energia captada pelos painéis brasileiros. Fotos: Arquivo Warka Water.

 

Potencial social, econômico e sustentável
A produção do Warka Water é de baixo custo e fácil montagem. Um Warka pode ser feito com materiais da própria região em que será instalado, fomentando também a economia e manufaturas locais. Ele é montado em 10 dias, com ajuda da comunidade, que recebe treinamento de como usá-la e noções básicas de educação ambiental e compostagem. Seus materiais recicláveis são 100% biodegradáveis e seu futuro ainda reserva diversas surpresas. É prevista a instalação, além da usina solar, de um ponto de WiFi na torre, levando energia e inclusão digital para lugares em que isso ainda é um luxo.

“O Warka Water não só provê um recurso fundamental para a vida – água – mas, levando também energia, educação e um lugar de convívio social, nós acreditamos que ele possa ser um ponto de partida para empoderar comunidades e ajudá-las a construir maior independência”, diz seu criador Arturo Vittori.

 

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CSEM Brasil

Um Centro de Pesquisa & Desenvolvimento que sonha mudar o mundo através da inovação.

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